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Boto garante salários do Flamengo até 2027: a folha consome metade da receita do semestre

Boto disse que salários não correm risco nem em 2027. O balanço de 30 de junho mostra R$ 360 milhões de folha no semestre, 49% da receita recorrente.

Léo Ortiz, de cabelo cacheado e barba, com camisa de treino branca do Flamengo, cercado por microfones e câmeras na frente do prédio do CT com o escudo do clube
Léo Ortiz, com a camisa de treino que leva a marca do patrocinador master, atende a imprensa no CT George Helal em 1º de outubro de 2026, o mesmo dia em que Boto falou dos salários. Foto: Flamengo; direitos reservados. Origem, direitos reservados, reprodução editorial. Redimensionada; corte de exibição adaptado à tela.

O diretor de futebol José Boto disse nesta quinta-feira (1º), no CT, que os salários de jogadores e funcionários do Flamengo não estarão em xeque nem em 2026 nem em 2027, mesmo na pior hipótese para o dinheiro das bets. O balanço do primeiro semestre mostra o tamanho da promessa: R$ 360,4 milhões gastos com pessoal em seis meses.

A fala veio na janela de entrevistas publicada pelo clube, antes dos jogadores, e respondia às dúvidas sobre o impacto das medidas recentes envolvendo as casas de apostas no planejamento do futebol. Esta página pega a frase de Boto e a coloca ao lado dos números que o próprio clube publicou sobre folha, receita e caixa até 30 de junho.

O que Boto disse

Boto disse que o clube também trabalha com a pior hipótese e que, mesmo nela, os salários “nunca estarão em xeque, nem este ano nem em 2027”, tanto dos atletas quanto dos funcionários. Depois, completou:

“Esse dinheiro é sagrado e o Flamengo vai cumprir todos os contratos que tem com os jogadores.”

Segundo o texto do clube, o diretor explicou que o Flamengo trabalha com diferentes hipóteses para a situação. Ele não citou valores; os valores abaixo saem das demonstrações financeiras do segundo trimestre, as mais recentes publicadas no portal de transparência.

Quanto o Flamengo gasta com pessoal em seis meses

O balanço separa a folha em três linhas. Duas ficam no custo das atividades esportivas, que reúne futebol e esportes olímpicos, e uma nas despesas administrativas. Os valores são consolidados, em milhões de reais:

Linha do balanço1º sem. 20261º sem. 2025
Salários, encargos e benefícios (esportes)213,5207,4
Direito de imagem105,870,0
Salários, encargos e benefícios (administração)41,136,5
Total com pessoal360,4313,9

Pela conta da Redação, a folha subiu 15% em um ano, e quase toda a alta veio do direito de imagem, que cresceu 51%. O salário em carteira dos esportes variou 3%; o pagamento pelo uso da imagem dos atletas passou de R$ 70 milhões para R$ 105,8 milhões no semestre.

Grupo de jornalistas com câmeras e celulares em volta de um entrevistado de costas, na calçada ao lado de um espelho d'água vermelho, com palmeiras e morro ao fundo
Jornalistas reunidos na área externa do CT George Helal durante a janela de entrevistas de 1º de outubro de 2026. Foto: Flamengo; direitos reservados. Origem: flamengo.com.br.

A folha diante da receita

No mesmo período, a receita recorrente bruta, que exclui a venda de jogadores, somou R$ 732,4 milhões, segundo o relatório da administração que abre o balanço. A linha de patrocínio e publicidade, onde entra o contrato da casa de apostas que estampa a camisa, chegou a R$ 237,5 milhões, a maior do semestre.

ContaValor no semestreParte da receita recorrente
Receita recorrente brutaR$ 732,4 mi100%
Patrocínio e publicidadeR$ 237,5 mi32%
Total com pessoalR$ 360,4 mi49%
Ebitda recorrenteR$ 156,9 mi21%

Pela conta da Redação, de cada R$ 100 de receita recorrente do semestre, R$ 49 foram para pessoal e R$ 32 vieram de patrocínio e publicidade. O Ebitda recorrente, que mede a geração de dinheiro antes da venda de atletas, ficou em R$ 156,9 milhões, com margem de 22,8% sobre a receita líquida, segundo o clube.

O semestre sem o patrocinador master

A Betano paga cerca de R$ 268 milhões por ano, valor informado pela CNN Brasil e detalhado em quanto vale a Betano para o Flamengo; o clube não publica o número. Em seis meses, isso dá cerca de R$ 134 milhões.

Na conta simples da Redação, sem esse dinheiro e sem substituto, a receita recorrente do semestre cairia para cerca de R$ 598 milhões, e a folha passaria a consumir 60% dela. O Ebitda recorrente cairia de R$ 156,9 milhões para perto de R$ 23 milhões. A receita ainda cobriria a folha, mas sobraria pouco para o resto: contratações, viagens, impostos e dívidas.

A conta é um teto de perda, porque supõe que nada ocuparia o espaço na camisa. Em petição ao STF, o próprio clube estimou perda bem maior, de até R$ 430 milhões em 2027, somando outros contratos com casas de apostas, como mostra o pedido do Flamengo como amicus curiae.

O que o caixa mostra

O caixa consolidado terminou junho em R$ 127,8 milhões, contra R$ 191,7 milhões no início do ano, uma queda de R$ 63,9 milhões, embora R$ 57,3 milhões acima da posição de 31 de março, segundo o relatório. O semestre teve R$ 495 milhões investidos em direitos de atletas, valor que o clube chama de sem precedentes para o período, puxado pela contratação de Lucas Paquetá, segundo o relatório.

No passivo, o balanço registra R$ 15,2 milhões de salários a pagar e R$ 16,2 milhões de provisão de 13º em 30 de junho, valores de rotina para o mês. O resultado do semestre foi déficit de R$ 33,8 milhões, que o clube atribui à amortização contábil de R$ 192,4 milhões dos atletas, sem saída de caixa.

Há também dinheiro que já entrou. A nota de adiantamentos registra saldo de R$ 48,7 milhões recebidos antes da hora da Kaizen Gaming do Brasil, empresa dona da Betano no país, a ser reconhecido ao longo de 2026.

Vídeo de Flamengo TV. Abrir no YouTube.

A transmissão oficial da Flamengo TV é da entrevista dos jogadores que falaram no CT depois de Boto, no mesmo dia: Léo Ortiz, Saúl e Joaquín Freitas. O ano de Saúl, dito por ele mesmo, está em Saúl explica a cirurgia e os 231 minutos.

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