O Flamengo já pagou R$ 146,08 milhões pelo terreno do Gasômetro e tem a posse dele desde outubro de 2024, mas o estádio ainda não tem data de obra. Pelo próprio clube, faltam a mudança da Naturgy, a descontaminação do solo, as licenças e os termos definitivos com a União, a Caixa e a Prefeitura, e a inauguração mais cedo possível é julho de 2036.
Esta página separa as três coisas que costumam aparecer misturadas quando se fala do estádio: o que já está assinado ou pago, o que depende de outra parte assinar ou liberar, e o que existe só no papel do projeto. Cada item traz a data e o documento de origem.
Já está feito: terreno pago e posse entregue
- 23/06/2024: a Prefeitura anuncia a decisão de desapropriar o terreno, com área de 88.300 m².
- 02/08/2024: homologação da vitória do Flamengo no leilão, por R$ 138,195 milhões, no Diário Oficial da cidade.
- 16/08/2024: promessa de compra e venda com a Prefeitura, sob condição suspensiva.
- 02/09/2024: pagamento dos R$ 138,195 milhões.
- 23/09/2024: pagamento adicional de R$ 7,885 milhões, pedido na Justiça depois do laudo da perícia.
- 03/10/2024: Termo de Pré-Acordo entre Flamengo, Caixa, fundo Porto Maravilha, União, Município e CCPar, na câmara de conciliação da AGU.
As datas de agosto a outubro estão na nota 8 do balanço do Flamengo de 30 de junho de 2026, que também registra o processo de desapropriação na 8ª Vara de Fazenda Pública do Rio. Em 7 de outubro de 2024, a Prefeitura anunciou a entrega das chaves ao clube, num terreno de 86.592 m² na Avenida São Cristóvão, 1.200.
Em 29 de agosto de 2025, Flamengo e Prefeitura assinaram um termo de compromisso. Pelo comunicado do clube, o Flamengo permanece com o terreno, e os prazos de execução do projeto foram prorrogados, com ajustes de obrigações.
O que custou o terreno, na conta da Redação
Somados, os dois pagamentos registrados no balanço chegam a R$ 146,08 milhões, exatamente o valor da linha "Terreno em processo de aquisição", que não mudou entre dezembro de 2024 e junho de 2026.
- Lance do leilão: R$ 138,195 milhões.
- Adicional após a perícia: R$ 7,885 milhões.
- Total no balanço: R$ 146,08 milhões, ou cerca de R$ 1.687 por metro quadrado, na área de 86.592 m² informada pela Prefeitura.
- Adicional do acordo com o FGTS, segundo o Lance: R$ 23,6 milhões em cinco parcelas anuais corrigidas, o que levaria o total a R$ 169,68 milhões.
A área muda conforme o documento: 88.300 m² no anúncio da desapropriação e 86.592 m² na entrega das chaves. Na área maior, o custo cai para cerca de R$ 1.654 por metro quadrado, sem o adicional do FGTS.
O que ainda depende de assinatura ou licença
O termo definitivo do acordo ainda não aparece como assinado no balanço. A nota 8 diz que, em 18 de dezembro de 2025, as partes fizeram "ajustes finais com vistas à celebração do Termo de Acordo Definitivo", que vai garantir ao clube a posse definitiva.
Dois dias depois, o Lance publicou que o Conselho Curador do FGTS deu parecer favorável ao Termo de Conciliação, com o adicional de R$ 23,6 milhões. Em 22 de março de 2026, o prefeito Eduardo Cavaliere disse, segundo o Tempo Real RJ, que o contrato só seria assinado com o aval da AGU.
A Redação não achou, até 1º de outubro de 2026, comunicado oficial do Flamengo, da Prefeitura ou da AGU sobre a assinatura do termo definitivo. Além dele, o clube lista no diagnóstico de setembro de 2025 a saída da Naturgy, a demolição e limpeza da área e a aprovação legislativa dos títulos de potencial construtivo, os CEPACs.
A licença é a trava mais longa. A Naturgy ocupa 55% do terreno, e o clube calcula quatro anos para a mudança dela depois que a Prefeitura indicar o novo endereço. Só então começa a descontaminação, de 18 a 24 meses, e o comunicado é direto: sem essa etapa, não há como obter as licenças.

O que ainda é só projeto
Tudo o que diz respeito ao estádio em si está na fase de estudo. Pelo diagnóstico apresentado em 17 de setembro de 2025, o novo projeto prevê:
- Lugares: 72 mil, com menos assentos premium que na proposta anterior.
- Custo: R$ 2,2 bilhões, com estádio, contingências, terreno, custo de capital e entorno.
- Prazo: julho de 2036, no mínimo, contra dezembro de 2029 na meta anterior.
- Dinheiro: poupança do próprio clube, sem SAF.
- Obra: cerca de três anos.
Os estudos de viabilidade foram feitos com FGV, Arena Venues + Events, Soloeste Engenharia e AECOM, segundo o comunicado de agosto de 2025.
Quanto o projeto mudou de 2024 para 2025
O custo subiu 15,8%, de R$ 1,9 bilhão para R$ 2,2 bilhões, na comparação do clube entre a proposta anterior e a nova. A FGV calculou que a proposta antiga, atualizada, custaria R$ 2,66 bilhões, ou R$ 3,1 bilhões com o custo de capital.
A receita esperada com os CEPACs foi na direção contrária: a estimativa anterior de R$ 552 milhões caiu para R$ 194 milhões no recálculo da FGV, uma queda de 64,9%, ou R$ 358 milhões a menos. O prazo andou seis anos e meio, de dezembro de 2029 para julho de 2036.
A conta do prazo até 2036
Pelas etapas do próprio clube, a sequência mínima é de quatro anos para a saída da Naturgy, 18 a 24 meses de descontaminação e cerca de três anos de obra. Somadas, dão de 8 anos e meio a 9 anos, contados a partir da indicação do novo endereço da Naturgy.
Para fechar em julho de 2036, essa contagem teria de começar entre julho de 2027 e janeiro de 2028, se as etapas correrem em sequência e sem atraso. A conta é da Redação e não inclui o tempo de licenciamento entre a descontaminação e o início da obra, que o clube não detalhou.
Os números do balanço que registram o terreno estão também na página sobre receita, caixa e dívida do Flamengo.
A apresentação do novo projeto
O vídeo da Flamengo TV, publicado em 17 de setembro de 2025, mostra a apresentação do diagnóstico técnico aos sócios, com os números de custo e prazo que aparecem nesta página.



