O Flamengo conseguiu a licença da Prefeitura do Rio para um complexo de R$ 500 milhões na sede da Gávea, com duas torres de hotel, 348 quartos e um shopping de 82 lojas, segundo o 1News, do Correio Braziliense e o Flamengo RJ. O terreno é o das antigas arquibancadas do estádio.
A licença é o único passo concreto até aqui. Quem vai pagar a obra e quem vai administrar os hotéis ainda está em aberto, e nenhum dos dois textos traz prazo de início.
Um aviso: esta matéria se apoia em duas reportagens de imprensa. A redação não localizou o ato da licença no Diário Oficial do Município nem um comunicado do clube sobre o assunto, e por isso tudo abaixo vai atribuído a quem noticiou.
O que o projeto prevê
O plano é de duas torres de dez andares, que somam 348 quartos e 536 vagas de estacionamento. Colado nos hotéis, entraria um shopping com 82 lojas. Os dois veículos descrevem hotéis de quatro estrelas.
Fazendo a conta por cima: 348 quartos em duas torres dão 174 por torre, cerca de 17 por andar se a divisão for igual, número que os textos não informam. As 536 vagas atendem o complexo inteiro, hotéis e lojas.
A versão de partida era outra. O Flamengo RJ conta que a ideia inicial era um único hotel cinco estrelas. O projeto mudou para duas unidades de quatro estrelas, com mais quartos e uma área comercial maior, e foi apresentado aos conselheiros em junho.
Por que as arquibancadas da Gávea
As arquibancadas ficam perto de hospitais e de moradias, e o barulho de um jogo pesa nessa vizinhança. Por isso a Gávea hoje serve sobretudo a treinos e eventos, e não a partidas de grande público, segundo os dois textos. É um espaço de pouco uso, e o projeto quer transformá-lo em renda.

O que já saiu do papel e o que falta
| Etapa | Situação segundo a imprensa |
|---|---|
| Projeto apresentado ao Conselho | Feito, em junho |
| Licença da Prefeitura do Rio | Concedida, segundo 1News e Flamengo RJ |
| Financiador | Em análise: XP e BTG aparecem como favoritos |
| Rede hoteleira | Só será escolhida depois do financiador |
| Início da obra e prazo | Sem data nas fontes |
A ordem importa. Primeiro vem o dinheiro, depois a bandeira do hotel. O 1News atribui ao Terra a informação de que XP e BTG são os favoritos para captar os recursos e já analisam o negócio. O Flamengo RJ atribui o mesmo dado à coluna de Lauro Jardim, em O Globo. Nem o Terra nem a coluna foram abertos pela redação.
O modelo desenhado pela diretoria, do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, é o do parceiro que banca a obra: o clube não quer usar caixa próprio e dividiria os resultados do complexo com os investidores. Os valores dessa divisão não foram publicados.
Outro projeto, no mesmo clube
O R$ 500 milhões da Gávea não é o estádio próprio. Esse assunto tem página à parte, com o que está aprovado e o que ainda é só plano, em o texto sobre o Gasômetro. Para a história do terreno, vale ler por que a sede continua importante além do futebol, e quem quiser conhecer o prédio por dentro encontra o roteiro do Museu Flamengo.
O Flamengo RJ lembra ainda que, no Ninho do Urubu, um miniestádio no Campo 10 está em obra, com conclusão prevista entre julho e agosto de 2027 e capacidade de 4.500 pessoas.
Para acompanhar, o que falta ver é o anúncio do financiador e a publicação da licença no Diário Oficial do Município. Até lá, o complexo da Gávea é um projeto com licença, não uma obra.


