O Flamengo publicou na terça-feira (6) uma nota oficial em que diz que "não cabe ao Ministério Público escolher onde os clubes devem mandar seus jogos". O texto fala em "tentativa" do MP do Estado do Rio de Janeiro de interferir na definição do local de partidas, mas não cita o Vasco nem o Boca Juniors.
A nota chega um dia depois de o MP-RJ recomendar ao consórcio que administra o Maracanã, formado por Flamengo e Fluminense, que libere o estádio para Vasco x Boca Juniors, semifinal da Sul-Americana marcada para 20 de outubro, às 21h30. Quem liga uma coisa à outra é a imprensa: o clube não diz a que caso se refere.
O que diz a nota do Flamengo
O clube afirma, na nota publicada no site oficial, que "vê com preocupação a tentativa do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro de interferir na definição do local de realização de partidas de futebol". Diz também que reconhece e respeita o papel constitucional do órgão, mas que o respeito às instituições passa pelo respeito aos limites de cada uma.
O argumento central é técnico. O Flamengo pergunta: se os órgãos responsáveis atestam as condições para a partida, "com base em qual competência técnica o Ministério Público pretende desconsiderar esses laudos"? E acrescenta que, se há elementos que invalidem os laudos, "que sejam demonstrados objetivamente".
A nota termina dizendo que o clube "defenderá sempre a segurança, o cumprimento das regras e o respeito às competências institucionais". Não traz assinatura nem menção ao consórcio.
A recomendação do MP-RJ que veio antes
Segundo o Lance!, a recomendação saiu na noite de segunda-feira (5), expedida pelo Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (GAEDEST) do MP-RJ. O documento dá 48 horas, a partir do recebimento, para o consórcio apresentar resposta fundamentada.
O MP-RJ cita a avaliação da Polícia Militar, que é contrária a São Januário e favorável ao Maracanã, por segurança, capacidade, mobilidade e fluxo de torcidas. Segundo a reportagem, São Januário não atinge os 30 mil lugares exigidos pela Conmebol nas semifinais.
O órgão reconhece que cuidar do gramado é interesse legítimo, mas diz que isso não deve pesar mais que a segurança. Lembra que o estádio recebeu jogos com 48 horas de intervalo nove vezes em 2026. Também aponta possível tratamento desigual ao Vasco, o que, para o órgão, pode contrariar o contrato de concessão.
A recomendação não é uma ordem judicial. O MP-RJ avisa, ainda segundo o Lance!, que o descumprimento pode levar a ação civil pública e a comunicação ao poder concedente. O órgão pede também que o consórcio publique em até 30 dias critérios objetivos e iguais para todos os clubes que pedirem o estádio.
O que já se sabia do impasse
O consórcio negou o pedido do Vasco em 28 de setembro, citando o desgaste do gramado e a quantidade de jogos, como a Redação contou em Consórcio de Flamengo e Fluminense nega o Maracanã ao Vasco. O Flamengo joga a semifinal da Libertadores contra o Estudiantes dois dias depois do jogo do Vasco, no mesmo gramado.
A CartaCapital informa que a recomendação do MP foi encaminhada no mesmo dia em que a Justiça negou um pedido de liminar do Vasco para obrigar a gestão do Maracanã a liberar o estádio.

No contrato, as duas coisas convivem. A Redação detalhou em o que a minuta da concessão diz sobre o uso por outros clubes que a concessionária monta o calendário, mas não pode vedar o acesso de outro clube ao estádio nem dar tratamento discriminatório. É aí que as duas partes divergem: o MP vê possível desigualdade, e o Flamengo contesta a competência do órgão para decidir o local.
O prazo que resta
O Vasco precisa informar à Conmebol o estádio da semifinal até sexta-feira (10), segundo o Lance!. Até a publicação desta matéria, a Redação não encontrou resposta pública do consórcio à recomendação nem decisão nova da Justiça. O Flamengo integra a concessionária do estádio e é parte interessada no assunto.



