Os dois preparadores físicos da equipe principal do Flamengo, Arthur Peixoto (43 anos) e Carlos Bezerra Júnior, o Juninho (38), começaram a carreira na base do clube. Arthur lidera a preparação física de Leonardo Jardim desde o primeiro semestre de 2026, e Juninho é o segundo da área desde 2024.
O caminho dos dois está numa matéria do site oficial do Flamengo, de 7 de outubro. O texto parte de uma lembrança do Mundial de 1981: dos 11 titulares que bateram o Liverpool em Tóquio, oito foram formados na Gávea. Daí veio o slogan “Craque o Flamengo faz em casa”. Quase meio século depois, diz o clube, o Rubro-Negro também forma profissionais da comissão técnica.
Arthur: do futsal sub-10 ao comando da preparação física
Arthur chegou ao clube ainda criança, para jogar no futsal sub-10. Alternou quadra e campo até parar cedo de jogar, formou-se em Educação Física e foi para o Ninho. Começou em 2007 como estagiário da preparação física do sub-15 e foi efetivado dois anos depois, no sub-10/11.
Nessa passagem pelas categorias, cruzou com nomes que hoje estão no profissional ou fora do país. “No sub-11 conheci o Vini Jr e o Bernardo Ferrari (atualmente Bruno Rosa), que passou um bom tempo no Chelsea. Lembro que eles fizeram teste no mesmo dia. Depois, no Sub-13, trabalhei com o Paquetá e hoje estamos juntos de novo”, contou ao site do clube.
A carreira dele não ficou só na Gávea. Passou pelo Guangzhou Evergrande, da China, e pela Seleção Brasileira sub-17, que ganhou o Mundial de 2019 com a geração de Lázaro e Daniel Cabral. Em 2023, com a chegada de Vitor Pereira, subiu ao profissional. “Virei o primeiro preparador físico da comissão permanente do clube”, disse. Com Leonardo Jardim, no primeiro semestre de 2026, assumiu o comando da área.

Juninho: de América e Grêmio ao terceiro preparador do profissional
Juninho também tentou ser jogador. Passou pela base de América e Grêmio, e aos 22 anos decidiu seguir outro caminho: estudou Educação Física e, em 2015, chegou ao Flamengo como estagiário do sub-20. No ano seguinte teve a carteira assinada e assumiu o sub-12.
Subiu ao profissional em 2024 como terceiro preparador físico, atrás de Diogo Linhares e do próprio Arthur. Com a saída de Diogo, virou o segundo. A adaptação, segundo ele, foi mais fácil por causa de quem já conhecia: “Quando cheguei no profissional reencontrei o Thiago Eller (treinador de goleiros), além do Arthur e do Leniyan (fisioterapeuta). Tinha trabalhando com todos eles no Sub-17”. Ele mesmo faz a ressalva de que cada categoria tem a sua especificidade, “principalmente o profissional”.
A conta do tempo até o profissional
As datas da matéria permitem medir a subida. Arthur começou como estagiário em 2007 e chegou ao profissional em 2023: foram 16 anos entre a primeira função na base e o grupo principal, com a passagem pela China e pela Seleção no meio. Juninho levou nove, de 2015 a 2024, e fez todo o trajeto dentro do clube, das categorias menores ao profissional.
Os dois não são os únicos. O texto do clube diz que “tem outros” na comissão, mas não nomeia além de Thiago Eller e do fisioterapeuta Leniyan, que Juninho conheceu no sub-17. O clube também não detalha a função de cada um na rotina de treinos de Jardim, e esta matéria não tenta preencher esse espaço.
O que isso tem a ver com a base do clube
A lógica é a mesma do jogador que sobe. Rafael Barreto, defensor de 16 anos, assinou em 28 de setembro o primeiro contrato profissional depois de dez anos no clube: chegou em 2016 pelo futsal, na Gávea, como Arthur. Sobre como o Flamengo forma atletas, vale ler como funciona a formação na base.
Quem quiser a conta de 1981 que abre a matéria do clube encontra os gols e a escalação em Flamengo 3 x 0 Liverpool, e a história da sede em Gávea: por que a sede continua importante. A comissão de Jardim vai trabalhar com o elenco na semifinal da Libertadores, contra o Estudiantes, em 15 e 22 de outubro.


