Foi em Juiz de Fora, e não no Maracanã, que o Flamengo venceu o Goiás por 1 a 0 na ida da final de 1990, resultado que o 0 a 0 no Serra Dourada transformou no primeiro título do clube na Copa do Brasil, segundo a CBF.
A campanha terminou invicta, com seis vitórias e quatro empates em dez jogos, e passou por nove estádios diferentes. O Maracanã recebeu uma única partida, a semifinal contra o Náutico.
Por que a decisão começou em Juiz de Fora
Em 1990, o Flamengo mandou jogos da Copa do Brasil em Moça Bonita, na Gávea e no Estádio Municipal de Juiz de Fora, que foi a casa mais usada na campanha, segundo o ge, que reuniu campeões daquele ano em 2013. Foram cinco jogos como mandante em quatro estádios, e cinco vitórias, com 12 gols marcados e 1 sofrido.
O meia Djalminha deu a explicação para a final longe do Rio. "Conseguimos uma vitória por 1 a 0 em Juiz de Fora, porque o Maracanã estava fechado, o que também dificultou", disse ao ge.
A ida: gol de Fernando e duas expulsões
O primeiro jogo foi numa quinta-feira à tarde, 1º de novembro de 1990, véspera de feriado, no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, relembrou o ge de Juiz de Fora. O Flamengo tinha Júnior, Djalminha, Aílton e Renato Gaúcho; o Goiás apostava em Túlio Maravilha.
O primeiro tempo terminou sem gols. No segundo, o zagueiro Fernando fez o único gol da partida. "Tive a oportunidade de fazer o cruzamento para o gol do Fernando", lembrou Djalminha em 2013. Mais tarde, Fernando e Cacau, do Goiás, foram expulsos, e os dois ficaram fora do jogo decisivo.
A volta: 0 a 0 diante de 45.504 pagantes em Goiânia
Em 7 de novembro, no Serra Dourada, o técnico Jair Pereira armou um time mais defensivo. Em relação à ida, Rogério, Uidemar e Bobô entraram nos lugares de Fernando, expulso, Marquinhos e Djalminha, pelas escalações da RSSSF, que registra o Flamengo com Zé Carlos, Aílton, Vitor Hugo, Rogério e Piá; Uidemar, Júnior, Bobô e Zinho; Renato Gaúcho e Gaúcho.
"Só não joguei de titular a final porque o Jair Pereira optou por um esquema mais defensivo para segurar", contou Djalminha. O 0 a 0 bastou, diante de 45.504 pagantes, segundo a CBF. Nélio, que entrou no lugar de Bobô, descreveu a noite como de "pressão grande".
Dez jogos, nove estádios e nenhuma derrota
A lista de jogos publicada pela CBF mostra por onde o time passou:
- Primeira fase: 5 a 1 na Capelense-AL em Moça Bonita (21 de junho) e 4 a 0 no Rei Pelé (5 de julho);
- Oitavas: 2 a 0 no Taguatinga-DF na Gávea (10 de julho) e 1 a 1 no Serejão (15 de julho);
- Quartas: 1 a 1 com o Bahia no Joia da Princesa (25 de julho) e 1 a 0 em Juiz de Fora (28 de julho);
- Semifinal: 3 a 0 no Náutico no Maracanã (13 de setembro) e 2 a 2 nos Aflitos (16 de outubro);
- Final: 1 a 0 no Goiás em Juiz de Fora (1º de novembro) e 0 a 0 no Serra Dourada (7 de novembro).
Foram 20 gols marcados, o melhor ataque da competição, e 5 sofridos. Fora de casa, o time venceu uma vez, na goleada sobre a Capelense, e empatou as outras quatro. O atacante Gaúcho foi o artilheiro do Flamengo, com quatro gols, três a menos que Bizu, do Náutico, artilheiro do torneio.

Um título que valia Libertadores, mas não era manchete
A Copa do Brasil de 1990, só a segunda edição do torneio, já dava vaga na Libertadores, mas não tinha o peso de hoje, segundo os próprios campeões. A capa de O Globo depois da conquista nem citava o nome da competição: "Fla é campeão e já tem vaga na Libertadores", lembrou o ge.
O time misturava Júnior, tratado como irmão mais velho do grupo, com jovens da base como Djalminha, Nélio, Rogério Lourenço e Marquinhos, que tinham ganhado a Copa São Paulo de Juniores naquele mesmo ano. "Depois, pegamos sequência e ganhamos o Carioca em 1991 e o Brasileiro em 1992", disse Nélio. A trajetória de Júnior tem matéria própria no acervo, assim como a campanha do Brasileiro de 1992.



