Jornalismo independente sobre o Flamengo
História

Flamengo venceu o Vasco por 2 a 0 e 1 a 0 em 2006 e acabou com três finais perdidas na Copa do Brasil

Com Ney Franco, contratado depois de ser eliminado pelo próprio clube, o Flamengo bateu o Vasco duas vezes no Maracanã e ganhou a Copa do Brasil de 2006.

Maracanã à noite, com os refletores acesos sobre a arquibancada e jogadores em campo
Maracanã em jogo noturno, em agosto de 2006, no mês seguinte à final da Copa do Brasil contra o Vasco. Foto de arquivo; não retrata a final. The Gentle, CC BY-SA 2.0. Redimensionada; corte de exibição adaptado à tela.

Com 2 a 0 e 1 a 0 sobre o Vasco, os dois jogos no Maracanã, o Flamengo ganhou a Copa do Brasil de 2006, o segundo título do clube na competição, segundo a CBF.

A taça veio 16 anos depois da primeira, de 1990, e com um técnico que tinha chegado à Gávea depois da semifinal: Ney Franco, que dois meses antes dirigia o Ipatinga, eliminado justamente pelo Flamengo.

Três finais perdidas antes do primeiro clássico na decisão

Entre os dois títulos, o Flamengo perdeu três decisões da Copa do Brasil: para o Grêmio em 1997, para o Cruzeiro em 2003 e para o Santo André em 2004, como mostra a lista de finais da RSSSF. A Folha Online lembrava, na noite do primeiro jogo, que os clubes do Rio tinham disputado seis finais depois de 1990 e perdido todas.

A de 2006 também tinha um dado novo: foi a primeira final da competição entre dois rivais da mesma cidade, segundo o relato da Folha sobre a ida. O Vasco chegava em bom momento com Renato Gaúcho, como o próprio Ney Franco reconheceu anos depois.

O técnico que o Flamengo tinha eliminado na semifinal

Waldemar Lemos comandou o time na maior parte da campanha e foi demitido depois de classificar o Flamengo para a final. O substituto foi Ney Franco, que tinha acabado de cair com o Ipatinga diante do próprio Flamengo na semifinal, contou a ESPN em 2022.

O convite, segundo o técnico, começou no vestiário da eliminação, numa conversa com Kléber Leite, então vice de futebol rubro-negro. "Eu confesso que, no início, achei que era uma pegadinha", disse Ney Franco ao ESPN.com.br. A Copa do Mundo parou o calendário, e ele teve um mês para preparar a decisão.

Nesse intervalo, levou o elenco para uma intertemporada em Manaus e fez dois treinos secretos no Ninho do Urubu, então um centro de treinamento da base, para montar um time com três zagueiros no lugar do 4-4-2, de acordo com outra entrevista dele à ESPN.

Na ida, o 3-6-1 surpreendeu e Obina decidiu

Na quarta-feira, 19 de julho, o Flamengo entrou no 3-6-1, com Luizão sozinho no ataque, e o Vasco de Renato Gaúcho foi pego de surpresa, segundo a Folha. O primeiro tempo terminou 0 a 0.

No segundo tempo, o zagueiro Renato Silva deixou o campo, machucado segundo o UOL, e Ney Franco pôs o atacante Obina. Obina abriu o placar pouco depois de entrar, e Luizão fez o segundo dois minutos mais tarde. O Vasco ainda acertou o travessão de Diego numa falta cobrada por Andrade. "O Obina foi iluminado", resumiu Ney Franco à ESPN.

O 2 a 0 deixou o Flamengo campeão até com derrota por um gol na volta, e a torcida terminou a noite cantando "vice de novo" para o rival.

Na volta, a expulsão de Valdir Papel e o gol de Juan

O segundo jogo, em 26 de julho, também no Maracanã, desandou cedo para o Vasco. Ainda no primeiro tempo, o atacante Valdir Papel levou o segundo amarelo por um carrinho em Leonardo Moura, e Renato Gaúcho chegou a empurrá-lo na saída de campo, relatou a Folha.

Com um a mais, o Flamengo marcou ainda no primeiro tempo: Leonardo Moura chutou, a defesa rebateu e Juan, na meia-lua, bateu rasteiro no canto esquerdo de Cássio. "Fazer gol é sempre importante, ainda mais em uma final contra o Vasco da Gama", disse o lateral ao UOL. No segundo tempo, Luizão ainda acertou a trave.

O árbitro foi Carlos Eugênio Simon. O UOL registrou 45.459 pagantes e renda de R$ 1.291.695.

Vídeo de ge tv. Abrir no YouTube.

Doze jogos, 23 gols e Renato como artilheiro

A campanha começou em fevereiro, na primeira fase, e teve seis confrontos de ida e volta, com a regra do gol fora valendo em todas as fases. Os placares, pela tabela da RSSSF:

  • Primeira fase: 1 a 1 com o ASA fora e 2 a 1 em casa;
  • Segunda fase: 1 a 0 no ABC fora e 4 a 0 em casa;
  • Terceira fase: 5 a 1 no Guarani em casa e derrota por 1 a 0 fora;
  • Quartas: 4 a 1 no Atlético-MG em casa e 0 a 0 fora;
  • Semifinal: 1 a 1 com o Ipatinga fora e 2 a 1 em casa;
  • Final: 2 a 0 e 1 a 0 no Vasco, no Maracanã.

Somados, são 12 jogos, oito vitórias, três empates e uma derrota, com 23 gols marcados e 7 sofridos. Pela soma dos marcadores registrados pela RSSSF e dos gols da final, Renato foi o artilheiro do Flamengo na campanha, com cinco gols. Obina fez quatro, um em cada fase do mata-mata a partir da terceira, e Luizão, três.

Arquibancada lotada do Maracanã com bandeiras do Flamengo agitadas e fumaça branca, com o placar eletrônico do estádio em primeiro plano
Torcida do Flamengo comemora um gol no Maracanã em 19 de março de 2006, quatro meses antes da final contra o Vasco no mesmo estádio. Foto: Ivan Hernández, Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0. Origem: commons.wikimedia.org.

O que o título de 2006 valeu

A conquista deu ao Flamengo R$ 1,2 milhão de prêmio e a primeira vaga na Libertadores desde 2002, segundo a Folha. No Brasileiro, o time era o 15º colocado, com 14 pontos, um acima da zona de rebaixamento.

Trocar de técnico no meio da campanha e ganhar a taça não ficou restrito a 2006. Em 2022, Paulo Sousa começou a Copa do Brasil e Dorival Júnior chegou antes das oitavas, lembrou a ESPN; em 2024, Filipe Luís assumiu no lugar de Tite, que saiu em setembro, segundo a Agência Brasil. O título seguinte ao de 2006, o de 2013, tem matéria própria no acervo.

Adicionar o Flamengo de Perto como fonte preferida no Google

Tópicos

Para continuar no assunto