Com 2 a 0 e 1 a 0 sobre o Vasco, os dois jogos no Maracanã, o Flamengo ganhou a Copa do Brasil de 2006, o segundo título do clube na competição, segundo a CBF.
A taça veio 16 anos depois da primeira, de 1990, e com um técnico que tinha chegado à Gávea depois da semifinal: Ney Franco, que dois meses antes dirigia o Ipatinga, eliminado justamente pelo Flamengo.
Três finais perdidas antes do primeiro clássico na decisão
Entre os dois títulos, o Flamengo perdeu três decisões da Copa do Brasil: para o Grêmio em 1997, para o Cruzeiro em 2003 e para o Santo André em 2004, como mostra a lista de finais da RSSSF. A Folha Online lembrava, na noite do primeiro jogo, que os clubes do Rio tinham disputado seis finais depois de 1990 e perdido todas.
A de 2006 também tinha um dado novo: foi a primeira final da competição entre dois rivais da mesma cidade, segundo o relato da Folha sobre a ida. O Vasco chegava em bom momento com Renato Gaúcho, como o próprio Ney Franco reconheceu anos depois.
O técnico que o Flamengo tinha eliminado na semifinal
Waldemar Lemos comandou o time na maior parte da campanha e foi demitido depois de classificar o Flamengo para a final. O substituto foi Ney Franco, que tinha acabado de cair com o Ipatinga diante do próprio Flamengo na semifinal, contou a ESPN em 2022.
O convite, segundo o técnico, começou no vestiário da eliminação, numa conversa com Kléber Leite, então vice de futebol rubro-negro. "Eu confesso que, no início, achei que era uma pegadinha", disse Ney Franco ao ESPN.com.br. A Copa do Mundo parou o calendário, e ele teve um mês para preparar a decisão.
Nesse intervalo, levou o elenco para uma intertemporada em Manaus e fez dois treinos secretos no Ninho do Urubu, então um centro de treinamento da base, para montar um time com três zagueiros no lugar do 4-4-2, de acordo com outra entrevista dele à ESPN.
Na ida, o 3-6-1 surpreendeu e Obina decidiu
Na quarta-feira, 19 de julho, o Flamengo entrou no 3-6-1, com Luizão sozinho no ataque, e o Vasco de Renato Gaúcho foi pego de surpresa, segundo a Folha. O primeiro tempo terminou 0 a 0.
No segundo tempo, o zagueiro Renato Silva deixou o campo, machucado segundo o UOL, e Ney Franco pôs o atacante Obina. Obina abriu o placar pouco depois de entrar, e Luizão fez o segundo dois minutos mais tarde. O Vasco ainda acertou o travessão de Diego numa falta cobrada por Andrade. "O Obina foi iluminado", resumiu Ney Franco à ESPN.
O 2 a 0 deixou o Flamengo campeão até com derrota por um gol na volta, e a torcida terminou a noite cantando "vice de novo" para o rival.
Na volta, a expulsão de Valdir Papel e o gol de Juan
O segundo jogo, em 26 de julho, também no Maracanã, desandou cedo para o Vasco. Ainda no primeiro tempo, o atacante Valdir Papel levou o segundo amarelo por um carrinho em Leonardo Moura, e Renato Gaúcho chegou a empurrá-lo na saída de campo, relatou a Folha.
Com um a mais, o Flamengo marcou ainda no primeiro tempo: Leonardo Moura chutou, a defesa rebateu e Juan, na meia-lua, bateu rasteiro no canto esquerdo de Cássio. "Fazer gol é sempre importante, ainda mais em uma final contra o Vasco da Gama", disse o lateral ao UOL. No segundo tempo, Luizão ainda acertou a trave.
O árbitro foi Carlos Eugênio Simon. O UOL registrou 45.459 pagantes e renda de R$ 1.291.695.
Doze jogos, 23 gols e Renato como artilheiro
A campanha começou em fevereiro, na primeira fase, e teve seis confrontos de ida e volta, com a regra do gol fora valendo em todas as fases. Os placares, pela tabela da RSSSF:
- Primeira fase: 1 a 1 com o ASA fora e 2 a 1 em casa;
- Segunda fase: 1 a 0 no ABC fora e 4 a 0 em casa;
- Terceira fase: 5 a 1 no Guarani em casa e derrota por 1 a 0 fora;
- Quartas: 4 a 1 no Atlético-MG em casa e 0 a 0 fora;
- Semifinal: 1 a 1 com o Ipatinga fora e 2 a 1 em casa;
- Final: 2 a 0 e 1 a 0 no Vasco, no Maracanã.
Somados, são 12 jogos, oito vitórias, três empates e uma derrota, com 23 gols marcados e 7 sofridos. Pela soma dos marcadores registrados pela RSSSF e dos gols da final, Renato foi o artilheiro do Flamengo na campanha, com cinco gols. Obina fez quatro, um em cada fase do mata-mata a partir da terceira, e Luizão, três.

O que o título de 2006 valeu
A conquista deu ao Flamengo R$ 1,2 milhão de prêmio e a primeira vaga na Libertadores desde 2002, segundo a Folha. No Brasileiro, o time era o 15º colocado, com 14 pontos, um acima da zona de rebaixamento.
Trocar de técnico no meio da campanha e ganhar a taça não ficou restrito a 2006. Em 2022, Paulo Sousa começou a Copa do Brasil e Dorival Júnior chegou antes das oitavas, lembrou a ESPN; em 2024, Filipe Luís assumiu no lugar de Tite, que saiu em setembro, segundo a Agência Brasil. O título seguinte ao de 2006, o de 2013, tem matéria própria no acervo.



