O Flamengo recebe o Fluminense no domingo (11), às 17h30, no Maracanã, com um treinamento contra o assédio para os torcedores antes de a bola rolar. A ação é da L’Oréal Paris, que leva ao clássico o programa Stand Up, e o treinamento vai ao ar na FlamengoTV, o canal oficial do clube no YouTube, segundo a Máquina do Esporte.
O formato está definido: o treinamento segue a metodologia dos “5Ds” (Distrair, Delegar, Documentar, Dialogar e Direcionar), pensada para quem testemunha uma situação de importunação sexual e quer agir sem se expor a risco. A data tem motivo. O sábado (10) é o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, e o clássico cai no dia seguinte.
O que a ação tem dentro do estádio
Além do treinamento, a Máquina do Esporte descreve duas frentes: vídeos educativos nos telões do Maracanã e a entrada de uma faixa de conscientização no gramado. A reportagem não diz em que ponto do estádio o treinamento acontece nem a que horas. Quem vai ao jogo deve olhar os telões e a comunicação oficial do Flamengo na véspera.
Ricardo Hinrichsen, diretor de marketing do Flamengo, afirmou que a parceria permite “uma orientação prática aos torcedores: como reconhecer uma situação de assédio e quais caminhos seguir para ajudar com segurança”. Para ele, numa partida que mobiliza tanta gente, a chance é ampliar o acesso a esse conhecimento.

Os 5Ds, um por um
Os nomes dos cinco verbos são os que a Máquina do Esporte publicou. A explicação de cada um abaixo é da Redação, a partir da ideia geral de intervenção segura que a reportagem descreve, e não um trecho do material do treinamento.
- Distrair: quebrar a situação com uma pergunta ou um gesto, sem confronto.
- Delegar: chamar quem tem autoridade no local, como segurança ou staff.
- Documentar: registrar o que aconteceu, quando isso é seguro.
- Dialogar: conversar com a pessoa que sofreu o assédio, depois do episódio.
- Direcionar: apontar o caminho para ajuda e denúncia.
De onde vem o programa e por que o futebol
O Stand Up foi lançado globalmente em 2020, com a organização Right To Be, e já capacitou mais de seis milhões de pessoas em 45 países, segundo a reportagem. No Brasil, quem ministra o treinamento é a ONG Cruzando Histórias, parceira da L’Oréal Paris desde 2020.
No futebol brasileiro, o caminho começou no Botafogo. Em reportagem de 8 de setembro, a Máquina do Esporte contou que a relação começou em 2024, com funcionários da área corporativa e categorias de base, e chegou aos jogos no Nilton Santos no ano seguinte, num Botafogo x Palmeiras. Em 2026, houve novas edições, entre elas no jogo contra o Athletico-PR, em agosto. Com o Fla-Flu, o treinamento chega a um segundo clube, e a marca já havia dito que pretendia ampliar a ação a mais times.
Maíra da Matta, diretora-geral da L’Oréal Paris no Brasil, convidou outros clubes e estádios a adotar a metodologia, que descreve como gratuita: “Queremos capacitar quem trabalha no jogo e orientar quem está nas arquibancadas com ferramentas práticas”.
Os números por trás da ação
A justificativa é a ausência feminina nas arquibancadas. Segundo um estudo da W.Lab com os institutos Ideia, Locomotiva e Pinion, citado pela Máquina do Esporte, só uma em cada três brasileiras frequenta estádios, e a falta de segurança é o motivo mais apontado. Na reportagem de setembro, a L’Oréal Paris falou em cerca de 30% de mulheres entre quem vai aos estádios, embora quase metade da população torcedora seja feminina. São levantamentos diferentes, então as contas não coincidem, mas apontam para o mesmo vazio.
Da Matta explicou por que o treinamento mira os homens, que são cerca de 70% do público: “Este não é um treinamento para mulheres ou sobre mulheres, é um treinamento sobre assédio”, disse à Máquina do Esporte. Segundo ela, quem está nas arquibancadas é quem testemunha, e por isso o foco é nessa plateia.
O que conferir antes do jogo
O clássico começa às 17h30 de domingo (11), e a página de serviço da Redação traz horário e onde assistir ao Fla-Flu. Para o treinamento, o canal indicado é a FlamengoTV, no YouTube.



