A história musical do Flamengo não começa com Lamartine Babo. Antes de sua marcha, o clube já tinha o Hino Rubro-Negro, de Paulo Magalhães. São duas composições, com autores e trajetórias diferentes.
Segundo a pesquisa do Museu Flamengo, Magalhães concebeu o hino em 1918, apresentou-o à diretoria em 1919 e viu sua execução pública em 15 de novembro de 1920, na Rua Paysandu.
A estreia, segundo o museu, teve 200 vozes, entre atletas de todas as modalidades e associados, acompanhadas pela Orquestra Cícero, na sede do clube. Magalhães, que fazia carreira no teatro, também era atleta do Flamengo: o museu cita futebol, basquete e hóquei.
O título em terra e no mar
A letra de Magalhães trata o Flamengo como campeão em terra e no mar. O museu explica que a referência era aos títulos que o clube já tinha no remo e no futebol, não a duas conquistas no mesmo ano. A coincidência veio depois: 13 dias após a estreia, em 28 de novembro de 1920, o time de futebol venceu o Andaraí por 2 a 1 e ficou com a taça; o remo tinha sido campeão três meses antes.
Quase duas décadas até o disco
Antes de ser gravado, o hino era tocado em eventos do clube e em saraus. Em 5 de agosto de 1921, a cantora e atriz Abigail Maia o interpretou no Teatro Trianon, com o autor presente. O primeiro disco, segundo o pesquisador Paulo Tinoco, citado pelo museu, só saiu em 1937, na voz de Castro Barbosa, com a Orquestra RCA Victor.
Pela conta da Redação, o hino de Magalhães levou 19 anos da concepção ao disco, de 1918 a 1937, enquanto a marcha de Lamartine chegou à primeira gravação um ano depois da estreia. Mesmo assim, o disco do Hino Rubro-Negro é oito anos mais antigo que o de Sempre Flamengo.

Quando entrou Lamartine Babo?
Lamartine criou marchas para os participantes do Carioca de 1943, ligadas ao programa Trem da Alegria. A primeira apresentação pública de Sempre Flamengo ocorreu em 10 de janeiro de 1944, no Teatro João Caetano.
Lamartine apresentava o programa de auditório ao lado de Héber de Bôscoli e Yara Salles. Segundo o museu, o tricampeonato carioca conquistado pelo Flamengo em outubro de 1944 ajudou a popularizar a marcha no mesmo ano da estreia.
Execução pública do Hino Rubro-Negro, de Paulo Magalhães.
Primeira gravação do Hino Rubro-Negro, por Castro Barbosa.
Apresentação de Sempre Flamengo, de Lamartine Babo.
Primeira gravação da composição de Lamartine, pelo grupo 4 Azes e um Coringa.
O museu registra outras denominações nas gravações seguintes: Marcha do Flamengo, com o Trio Melodia em 1950, e Hino do Flamengo, com Gilberto Alves em 1956.
Por que aparecem datas diferentes?
Composição, estreia em público e lançamento em disco são acontecimentos separados. Ao consultar um registro, confira qual deles está sendo datado. Isso evita tomar o ano de uma gravação como nascimento da música.
As duas peças podem ser consultadas na página do museu, que reúne letras e registros. Para acompanhar outras mudanças na identidade do clube, veja a origem das cores rubro-negras.



