O Flamengo reagiu à MP 1.394, que proíbe as bets, esportivas e de jogos on-line, e o presidente Bap estima que o clube pode perder de R$ 400 milhões a R$ 430 milhões por ano.
Atualização em 26/09/2026: o presidente Lula assinou na sexta-feira, 25, em São Paulo, a medida provisória que proíbe as apostas de quota fixa, as bets, com a presença do ministro da Fazenda, Dario Durigan. O Flamengo respondeu com nota oficial, e o governo prepara uma conversa com os clubes.
O que a MP proíbe e quando
A Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026, proíbe “a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade” das apostas de quota fixa, inclusive as feitas sobre eventos esportivos e jogos on-line. As demais loterias autorizadas por lei ficam de fora.
As autorizações das empresas serão extintas em 30 dias, sem devolução da outorga nem indenização, diz o texto. Os sites e aplicativos precisam sair do ar dez dias após a publicação.
O cronograma divulgado pelo Ministério da Justiça fixa a data: apostadores podem sacar o saldo até as 23h59 de 5 de outubro, e o bloqueio começa à zero hora do dia 6. O governo também enviou ao Congresso um projeto de lei que cria crimes ligados ao setor.
O artigo 16 da MP veta o patrocínio de casas de apostas e dá dez dias para retirar “sinais de patrocínio” físicos e digitais. Segundo o ministério, nova publicidade está proibida desde já, e peças já contratadas podem circular até 5 de outubro.
Na prática, a marca da Betano, que paga cerca de R$ 268,5 milhões por ano ao Flamengo em contrato até dezembro de 2028, segundo o Bolavip, estaria entre os sinais de patrocínio que o artigo 16 manda retirar em dez dias; clube e empresa não informaram como vão cumprir o prazo. Betano, Sportingbet e Superbet notificaram clubes sobre possíveis mudanças nos acordos, apurou o SBT News. A Betano não se manifestou publicamente depois da MP.
O que o Flamengo diz
A nota “Proibir não acaba com o jogo”, publicada às 12h45 de sexta, bate na segurança jurídica: “Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório”.
O clube aceita regras mais duras e punição a quem descumpre a lei, mas não o fim do mercado legal. Cita estudo da LCA Consultores segundo o qual entre 38% e 44% do valor apostado on-line já passa por plataformas clandestinas, e resume: “O jogo não vai acabar com uma canetada”.
Do outro lado, o governo trata a medida como proteção às famílias: a proibição foi anunciada no mesmo ato que lançou um programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas, informa o Ministério da Justiça.
De onde vem a conta de R$ 400 milhões
Ao Poder360, Bap disse que o clube pode perder de R$ 400 milhões a R$ 430 milhões por ano, com impacto no futebol masculino, no feminino e nos esportes olímpicos.
Uma delas são as placas de publicidade: o contrato com a Brax rende R$ 63 milhões ao Flamengo, e a expectativa é de rescisão, porque a maioria dos anunciantes é de casas de apostas, segundo Rodrigo Mattos, do UOL, citado pelo Bolavip. Sobre cortes, Bap afirmou: “Não tenho a menor dúvida”.
A reunião com o governo
O governo quer ouvir os clubes, mas a data diverge. O O Povo diz que o encontro deve ocorrer antes do primeiro turno; o SBT News fala em depois da eleição. Em estudo está uma linha de crédito com juros menores, com possível participação do BNDES, ainda sem valor nem critérios definidos.
O que a Betano disse antes da MP
A Betano, patrocinadora máster do Flamengo, disse ao Lance! que monitora “com muita preocupação” o debate sobre proibir as apostas no Brasil e que decidirá “no momento apropriado”.
Atualização em 25/09/2026: a Betano se manifestou pela primeira vez sobre a possível proibição das apostas, em resposta ao Lance!. Até esta sexta-feira, nenhuma medida provisória sobre o tema aparecia publicada nos canais oficiais do governo.
O que a Betano disse
Procurada pelo Lance!, a empresa respondeu em uma frase: “A Betano monitora com muita preocupação a discussão atual no país e tomará decisões no momento apropriado”. A resposta foi publicada na tarde de 24 de setembro, em reportagem de Lucas Bayer.
A fala não cita o contrato com o Flamengo nem fala em rescisão. O aviso informal ao clube, sem notificação oficial, segue como relatado pela Coluna do Fla, que repercutiu a declaração na manhã desta sexta-feira.
Em que pé está a proibição
Segundo o Lance!, o governo federal estuda uma medida provisória para proibir atividades do mercado de apostas esportivas, e alas do governo defendem que o alcance fique restrito a jogos como o do Tigrinho. A Coluna do Fla afirma que o texto final ainda não foi apresentado e que clubes e federações tentam uma reunião com o presidente Lula.
A nota do Flamengo e o contrato
O Flamengo publicou em 22 de setembro uma nota em defesa do mercado regulado de apostas, no momento em que o setor é discutido pelo governo federal. O tema atinge o patrocínio máster do clube: a Betano paga R$ 268 milhões por temporada até o fim de 2028, segundo a Coluna do Fla, e avisou informalmente que pode romper o acordo se as apostas forem proibidas.
A nota saiu às 12h30 de terça-feira na página institucional do clube, escrita em nome do futebol brasileiro. O texto afirma que “é preciso combater de forma rigorosa o jogo ilegal, e não desmontar o mercado legal, regulado e fiscalizado pelo Estado”.
O que a nota defende
O argumento central é o da segurança jurídica. A nota lembra que o Congresso aprovou a regulamentação e que clubes assumiram compromissos com base nela, incluindo contratos de patrocínio de longo prazo e decisões de contratação de atletas. Uma proibição ou interrupção abrupta, diz o texto, “poderia provocar um forte desequilíbrio financeiro nos clubes”.
O texto também trata da saúde pública. Defende combater o jogo ilegal, fortalecer a fiscalização, ampliar a informação ao consumidor e garantir tratamento para quem desenvolve comportamento de jogo problemático, com políticas baseadas em evidências. A regulamentação citada é a da Lei 14.790, de 2023, que definiu regras de licença, tributação e publicidade para as casas autorizadas.

O aviso informal da Betano
Na noite de 22 de setembro, a Coluna do Fla informou que a Betano avisou o Flamengo, de forma informal, sobre a possibilidade de rescindir o patrocínio máster em caso de proibição das apostas no país. Não houve notificação oficial. O site RCA1 registrou, em 24 de setembro, que representantes da empresa conversaram com a diretoria sobre essa possibilidade.
Segundo a Coluna do Fla, o contrato já prevê ajustes para mudanças na lei: o valor pode cair se houver aumento de imposto sobre as casas de apostas ou veto ao cassino on-line. O mesmo veículo diz que o fim dos patrocínios ligados às apostas tiraria até 20% da receita prevista pelo Flamengo, sendo 15% da Betano. Nem o clube nem a empresa comentaram publicamente o aviso.
A fala do presidente e o efeito em outros clubes
No dia seguinte à nota, na quarta-feira, 23, em evento de campanha no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que pretende “acabar com as bets”, relacionando as plataformas ao endividamento das famílias e à ludopatia, segundo o RCA1. Até a publicação da reportagem do site, nenhuma medida provisória tinha sido publicada; o governo estuda alternativas.
Outros clubes receberam avisos. A Superbet enviou notificações extrajudiciais a São Paulo e Fluminense, que não confirmaram o recebimento, e a Esportes da Sorte comunicou ao Corinthians a possibilidade de rompimento, o que o clube paulista confirmou, de acordo com o RCA1. Treze dos 20 clubes da Série A têm casas de apostas como patrocinadoras máster, e cerca de R$ 1 bilhão em contratos estaria em jogo, pela estimativa do site.
O que o Flamengo avalia
A Coluna do Fla afirma que o clube já estuda alternativas. A Lubrax, que fechou contrato de cerca de R$ 24 milhões para a parte superior das costas da camisa, teria avisado que quer prioridade no espaço máster se a Betano sair. O setor bancário aparece como outro candidato. Nenhuma dessas conversas foi confirmada pelo Flamengo.
Por enquanto, o contrato segue em vigor e a camisa continua com a Betano no peito. A parceria completou um ano em agosto. Como patrocínio, receita e caixa aparecem nas contas do Flamengo está na matéria sobre como ler o balanço do clube.



