A CBF aprovou, em 21 de setembro, a redução gradual do limite de jogadores estrangeiros relacionados em cada partida do Brasileirão, hoje fixado em nove; o Flamengo, que reúne dez atletas nascidos fora do Brasil no elenco profissional, votou contra a mudança.
A proposta foi aprovada por clubes e federações com apenas dois votos contrários, segundo a nota oficial da CBF. O Flamengo e o Bahia foram os únicos contrários, de acordo com a Coluna do Fla. Na mesma reunião, a entidade aprovou novos horários para as transmissões a partir de 2027.
Como cai o número, ano a ano
O limite atual de nove estrangeiros por súmula recua para oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030, de acordo com a nota da CBF. A entidade chama a mudança de retorno ao patamar de 2022, quando a regra já previa cinco vagas por partida.
A partir da próxima temporada, o domingo às 16h passa a ser o principal horário da Série A, e a quarta-feira concentra seis jogos na chamada Super Quarta. Na Série B, o sábado às 18h se torna o horário âncora da rodada, e o meio de semana fica concentrado em dois horários fixos, às 19h30 e às 21h. A CBF disse que a intenção é eliminar janelas consideradas prejudiciais ao torcedor, como partidas às 19h em dia de semana e jogos aos domingos à noite.
Os dez estrangeiros do elenco
O Flamengo soma hoje dez jogadores estrangeiros no elenco principal: o goleiro Rossi, o lateral Varela, os volantes Saúl Ñíguez e Pulgar, o meia De la Cruz, Carrascal, Arrascaeta, e os reforços mais recentes, Plata e Valencia e Joaquín Freitas, apresentados juntos em setembro, segundo o Correio Braziliense. A regra da CBF, porém, só limita quantos desses atletas podem ser relacionados na súmula de cada jogo, não o tamanho do elenco.
A conta é direta. Hoje, com limite de nove por súmula, o Flamengo já precisa deixar pelo menos um estrangeiro fora de cada jogo se todos estiverem disponíveis. Com oito em 2027, seriam dois; com cinco em 2030, metade do grupo atual ficaria de fora. A regra limita a súmula, não o elenco: o clube pode manter os dez contratados, desde que escolha quem joga.

Por que o Flamengo votou contra
O diretor de futebol José Boto explicou o voto em entrevista à Coluna do Fla. “Não me parece que essa medida vá ajudar o futebol brasileiro, antes, pelo contrário, vai pôr a liga mais fraca, porque os jogadores vão continuar saindo”, disse. Em seguida, completou: “Os melhores jogadores vão continuar a sair para a Europa muito novos, e os clubes não tendo a possibilidade de reter esses jogadores de valor, vão ter que jogar com jogadores com menos valia, e isso vai baixar a qualidade da liga brasileira.”
Boto defendeu outra mudança no lugar: acabar com o limite que impede um jogador de trocar de clube brasileiro depois de 12 jogos na temporada. Para ele, a regra “não existe em mais nenhuma parte do mundo” e faz o dinheiro sair “daquilo que é o ecossistema do futebol brasileiro”.
O que a CBF diz sobre o motivo
A CBF justifica a mudança com números. Na Série A, 95 estrangeiros entraram em campo em 2022; em 2025 foram 162, e em 2026 já eram 146 até o levantamento, segundo a nota da entidade. A média atual é de 5,4 estrangeiros relacionados por partida, abaixo do limite de nove, num universo de 215 jogos analisados.
O outro argumento é econômico. Entre 2016 e 2025, atletas de até 20 anos responderam por 50,1% das receitas brasileiras com transferências para o exterior, de acordo com a CBF. A proposta nasceu de um manifesto do Movimento dos Clubes Formadores, discutido no Grupo de Trabalho da Base Brasileira. O limite de 50 inscritos por clube continua, com a lista dividida entre um grupo principal e outro de atletas Sub-23.
O que ainda pode mudar
A nota da CBF traz o placar da votação, com dois votos contrários; os nomes de Flamengo e Bahia vêm da imprensa.



