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CBF aprova corte gradual de estrangeiros até 2030; Flamengo, com dez no elenco, votou contra

O limite em súmula cai de nove para oito em 2027 e cinco em 2030. Flamengo e Bahia foram os votos contrários; José Boto diz que a liga vai ficar mais fraca.

José Boto sentado à mesa de coletiva de imprensa, com painel de patrocinadores do Flamengo ao fundo e jornalistas em primeiro plano
José Boto, diretor de futebol do Flamengo, durante coletiva de imprensa em Atlantic City, nos Estados Unidos, em 12 de junho de 2025. Arquivo; direitos reservados. Gilvan de Souza / Flamengo, direitos reservados, reprodução editorial. Redimensionada; corte de exibição adaptado à tela.

A CBF aprovou, em 21 de setembro, a redução gradual do limite de jogadores estrangeiros relacionados em cada partida do Brasileirão, hoje fixado em nove; o Flamengo, que reúne dez atletas nascidos fora do Brasil no elenco profissional, votou contra a mudança.

A proposta foi aprovada por clubes e federações com apenas dois votos contrários, segundo a nota oficial da CBF. O Flamengo e o Bahia foram os únicos contrários, de acordo com a Coluna do Fla. Na mesma reunião, a entidade aprovou novos horários para as transmissões a partir de 2027.

Como cai o número, ano a ano

O limite atual de nove estrangeiros por súmula recua para oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030, de acordo com a nota da CBF. A entidade chama a mudança de retorno ao patamar de 2022, quando a regra já previa cinco vagas por partida.

A partir da próxima temporada, o domingo às 16h passa a ser o principal horário da Série A, e a quarta-feira concentra seis jogos na chamada Super Quarta. Na Série B, o sábado às 18h se torna o horário âncora da rodada, e o meio de semana fica concentrado em dois horários fixos, às 19h30 e às 21h. A CBF disse que a intenção é eliminar janelas consideradas prejudiciais ao torcedor, como partidas às 19h em dia de semana e jogos aos domingos à noite.

Os dez estrangeiros do elenco

O Flamengo soma hoje dez jogadores estrangeiros no elenco principal: o goleiro Rossi, o lateral Varela, os volantes Saúl Ñíguez e Pulgar, o meia De la Cruz, Carrascal, Arrascaeta, e os reforços mais recentes, Plata e Valencia e Joaquín Freitas, apresentados juntos em setembro, segundo o Correio Braziliense. A regra da CBF, porém, só limita quantos desses atletas podem ser relacionados na súmula de cada jogo, não o tamanho do elenco.

A conta é direta. Hoje, com limite de nove por súmula, o Flamengo já precisa deixar pelo menos um estrangeiro fora de cada jogo se todos estiverem disponíveis. Com oito em 2027, seriam dois; com cinco em 2030, metade do grupo atual ficaria de fora. A regra limita a súmula, não o elenco: o clube pode manter os dez contratados, desde que escolha quem joga.

José Boto de camisa preta fala em close diante de microfones, com painel de patrocinadores do Flamengo ao fundo
José Boto concede entrevista em Atlantic City, nos Estados Unidos, em 12 de junho de 2025. Arquivo, sem relação com a reunião da CBF de setembro de 2026; direitos reservados. Origem: Flickr oficial do Flamengo.

Por que o Flamengo votou contra

O diretor de futebol José Boto explicou o voto em entrevista à Coluna do Fla. “Não me parece que essa medida vá ajudar o futebol brasileiro, antes, pelo contrário, vai pôr a liga mais fraca, porque os jogadores vão continuar saindo”, disse. Em seguida, completou: “Os melhores jogadores vão continuar a sair para a Europa muito novos, e os clubes não tendo a possibilidade de reter esses jogadores de valor, vão ter que jogar com jogadores com menos valia, e isso vai baixar a qualidade da liga brasileira.”

Boto defendeu outra mudança no lugar: acabar com o limite que impede um jogador de trocar de clube brasileiro depois de 12 jogos na temporada. Para ele, a regra “não existe em mais nenhuma parte do mundo” e faz o dinheiro sair “daquilo que é o ecossistema do futebol brasileiro”.

Vídeo de ESPN Brasil. Abrir no YouTube.

O que a CBF diz sobre o motivo

A CBF justifica a mudança com números. Na Série A, 95 estrangeiros entraram em campo em 2022; em 2025 foram 162, e em 2026 já eram 146 até o levantamento, segundo a nota da entidade. A média atual é de 5,4 estrangeiros relacionados por partida, abaixo do limite de nove, num universo de 215 jogos analisados.

O outro argumento é econômico. Entre 2016 e 2025, atletas de até 20 anos responderam por 50,1% das receitas brasileiras com transferências para o exterior, de acordo com a CBF. A proposta nasceu de um manifesto do Movimento dos Clubes Formadores, discutido no Grupo de Trabalho da Base Brasileira. O limite de 50 inscritos por clube continua, com a lista dividida entre um grupo principal e outro de atletas Sub-23.

O que ainda pode mudar

A nota da CBF traz o placar da votação, com dois votos contrários; os nomes de Flamengo e Bahia vêm da imprensa.

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