O goleiro que parou o Estudiantes nos pênaltis de 2025 já vestiu a camisa do Estudiantes. Agustín Rossi chegou a La Plata aos 19 anos e disputou três partidas oficiais pela equipe principal entre 2015 e 2016, segundo a Conmebol. Na quinta-feira (15), o argentino volta a esse clube, agora como titular do campeão da Libertadores, na ida da semifinal.

A volta é no dia 22, no Maracanã. Entre uma partida e outra, Rossi reencontra uma equipe que conhece por dentro e que ele próprio tirou da Libertadores um ano atrás, com duas defesas na disputa de pênaltis. É um cruzamento de histórias que raramente aparece num mata-mata: o goleiro que já defendeu aquela camisa passa a ser o homem que pode decidir o confronto contra ela.
O vínculo com o Estudiantes é um detalhe pouco comentado da biografia de Rossi, e por isso ele ocupa este texto. Abaixo estão o que a Conmebol publicou, a cronologia de um goleiro que passou por quatro clubes antes de chegar à Gávea, as falas dele e do treinador que dão o tom do reencontro e o que está em jogo nos dois duelos.
Três jogos em La Plata, aos 19 anos
Segundo a Conmebol, Rossi foi revelado pelo Chacarita e chegou ao Estudiantes aos 19 anos. Na equipe principal, jogou três partidas oficiais entre 2015 e 2016. A entidade não informa as datas nem os adversários desses jogos, e este texto também não os cita: sem a súmula de cada partida, qualquer data seria chute.
Três jogos é pouco. Dá uma passagem curta, de quem aparece de vez em quando, não uma fase de titular. Mas o número pesa na história do goleiro, porque foi ali, num clube grande da Argentina, que ele passou a ser visto no futebol profissional de primeira linha. Depois, a Conmebol lista o Defensa y Justicia e o Boca Juniors, nessa ordem, até a chegada ao Flamengo, em 2023.
A cronologia que a própria Conmebol traça, sem datas de transferência, fica assim:
| Etapa | O que a Conmebol registra |
|---|---|
| Formação | Revelado pelo Chacarita |
| Estudiantes | Chegou a La Plata aos 19 anos; 3 jogos oficiais pela equipe principal, entre 2015 e 2016 |
| Argentina | Passagens por Defensa y Justicia e Boca Juniors |
| Flamengo | Chegada em 2023; recorde do clube em minutos seguidos sem sofrer gol e mais de 100 jogos |
As lacunas entre uma linha e outra existem de propósito. O que a fonte não diz, a Redação não preenche.
“Eu joguei lá”: o que Rossi disse antes de 2025
Antes das quartas de final da edição passada, Rossi já tinha tocado no assunto. Segundo a Conmebol, ele disse: “Eu joguei lá, sei o que a CONMEBOL Libertadores significa para o Estudiantes”. A frase serviu de alerta. O goleiro conhecia a importância que o torneio tem para o adversário e avisou que o time argentino encararia a competição com peso de obsessão.
A fala tem dois lados. Mostra respeito pelo rival, o que cai bem a quem passou por Boca e Flamengo e sabe que a camisa pesa. E mostra que ele fala de Libertadores com a autoridade de quem esteve dentro do clube. A leitura é da Redação, e não substitui o que a fonte registra: a frase é dele, o resto é interpretação.
Como a falha virou promessa e a promessa virou duas defesas
A Conmebol reconta o jogo de volta das quartas de final de 2025. O Flamengo perdeu por 1 a 0 em La Plata, com gol de Gastón Benedetti nos acréscimos do primeiro tempo, e precisava dos pênaltis para avançar. Rossi assumiu parte da responsabilidade pelo gol. Depois do jogo, disse: “Sei que, durante o jogo, tive um pouco de responsabilidade no gol. Apesar disso, o goleiro precisa manter a cabeça forte. Disse aos meus companheiros que ia ajudá-los nos pênaltis. Falei para baterem com confiança, porque eu ia defender pelo menos um. Tive a sorte de defender dois e decidir a disputa.”
O técnico da época, Filipe Luís, contou o outro lado da conversa na coletiva. Segundo ele, Rossi veio falar antes dos pênaltis: “Deixa comigo que eu errei antes e vou classificar o Flamengo agora”. Filipe Luís disse que acreditou. “Por sorte ele fez duas grandes defesas, e conseguimos passar”, afirmou, de acordo com A Gazeta.
As duas defesas foram nas cobranças de Gastón Benedetti e Santiago Ascacíbar. Benedetti era o autor do gol da partida, e foi nele que Rossi pôs a mão primeiro na disputa. A história inteira cabe em três verbos: errou, prometeu, defendeu.
A reconstrução da noite está em outra matéria desta Redação. O histórico do clube em disputas de pênaltis na Libertadores está neste texto.
Calma como método
A Conmebol atribui ao goleiro uma explicação sobre o próprio jeito de jogar, dita à TNT Sports durante o título de 2025: “Se eu mantiver a calma, também transmito calma à equipe”. Mesmo quando as preocupações se acumulam por dentro, diz a entidade, ele oferece aos companheiros uma referência de serenidade.
É uma leitura da fonte, e vale tratá-la como tal. Calma não aparece em súmula. O que aparece são os jogos sem gol sofrido, e esses a Conmebol contou: na campanha de 2025, Rossi chegou à final sem sofrer gols em oito de suas doze atuações e somou mais uma partida sem ser vazado na vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras, em Lima. Oito em doze é a proporção de dois jogos em cada três.
No Brasileirão deste ano, a Redação já mostrou a conta dos jogos de Rossi sem gol sofrido numa matéria com base nas súmulas. A diferença é de fonte: aqui, o número da Libertadores vem da Conmebol, e lá o do campeonato nacional vem da CBF.
Um goleiro que dá assistência em mata-mata?
O dado mais inusitado da campanha de 2026 também está na reportagem da Conmebol. Nas quartas de final desta edição, o Flamengo perdia para o Independiente del Valle e jogava com dez. Rossi lançou do seu campo a bola que terminou na cabeçada de Giorgian De Arrascaeta, para o 1 a 1. Segundo a Opta, citada pela Conmebol, foi a primeira assistência de um goleiro em fases eliminatórias da Libertadores desde o início dos registros da empresa, em 2013.
O passe ajudou a selar uma classificação que já vinha encaminhada: o Flamengo tinha vencido a ida por 2 a 0, em Quito. O dado é da Opta, e quem o repassa é a Conmebol. Por isso a informação vai atribuída às duas.
Há ali uma pista para o jogo de quinta. O goleiro que parou dois pênaltis em La Plata e deu um passe decisivo contra o Independiente del Valle pode mudar o roteiro de um mata-mata de duas formas: defendendo e começando a jogada.
Cem jogos, um recorde e a pressão da posição
A Conmebol lembra que Rossi chegou ao Flamengo em 2023 e foi conquistando espaço. Ele estabeleceu o recorde do clube de minutos consecutivos sem sofrer gols e passou da marca de cem partidas. Ao ser homenageado pelo centésimo jogo, disse: “Cheguei ao Flamengo com o objetivo de fazer história”.
Em agosto de 2026, falou sobre a exposição que o cargo traz: “Sabemos que as críticas sempre vão existir, fazem parte do jogo”. Contou que evita acompanhar a repercussão nas redes sociais e que os anos no Boca e no Flamengo o ensinaram a entender a pressão da posição.
O técnico Leonardo Jardim, citado pela Conmebol, disse: “Rossi é um jogador importante e já demonstrou isso, principalmente nos últimos anos”. A frase vale como registro do que o treinador diz em público. Sobre o futuro do goleiro no clube, o que existe em fonte aberta está na matéria sobre o contrato e o plano para 2027, com a ressalva de que nenhuma proposta oficial foi divulgada.
Em março, na final do Campeonato Carioca, ele defendeu dois pênaltis contra o Fluminense. Depois do jogo, a Conmebol registra a frase: “Temos algo muito importante a fazer, que é tornar o Flamengo cada vez maior”. Somadas às duas defesas em La Plata em 2025, são dois jogos de mata-mata em que pênaltis defendidos por ele pesaram, segundo a mesma fonte.
O que vale acompanhar nos dois jogos
A ida está marcada para 15 de outubro, em La Plata, e a volta para o dia 22, no Maracanã, segundo a Conmebol. O Flamengo busca a quinta Libertadores da história. O Estudiantes, que a entidade descreve como em busca de uma nova final, joga a primeira partida em casa.
Há três pontos para olhar com o dado que está na fonte. O primeiro é o desempenho de Rossi em La Plata, estádio onde foi vazado por Benedetti em 2025. O segundo é a participação dele na saída de bola, já que a assistência para Arrascaeta mostrou que o jogo com os pés conta. O terceiro é a decisão por pênaltis, se houver: ele já mostrou o que faz nela, e o Estudiantes sabe disso.
O reencontro com o clube de 2015 e 2016 não garante nada em campo. Três jogos de uma década atrás são curiosidade de biografia, não fator tático. Mas quem acompanha o Flamengo ganha um motivo extra para olhar o gol na quinta-feira: o camisa 1 do campeão conhece esse adversário por dentro.
Horário e transmissão da ida devem ser conferidos nos canais oficiais da Conmebol e do Flamengo antes da bola rolar.



