Erick Pulgar, volante do Flamengo, disse que não seria honesto voltar à seleção do Chile sem garantir presença na Copa de 2030 e negou que a pressão explique a recusa.
O chileno de 32 anos recusou de novo a convocação para a Data Fifa e virou alvo de ex-jogadores no país. Em entrevista ao jornal O Globo, repercutida pela CNN Brasil, explicou o motivo. Numa segunda resposta, publicada pelo Terra, rebateu quem o chamou de frágil.
Por que Pulgar diz que não foi
O argumento central é a idade. "Tenho 32 anos e a próxima Copa do Mundo é daqui a quatro anos. Eu adoraria ver o Chile de volta a uma Copa do Mundo, mas não seria honesto garantir que vou chegar a disputá-la. Não sabemos como estará minha condição física nem qual será meu momento no futebol na época", disse ao O Globo, segundo a CNN Brasil.
O volante afirmou que a seleção "sempre será importante", mas que o foco agora deve estar em quem pode chegar ao próximo Mundial. "É preciso apoiar os jovens, dar confiança e ter paciência com esse processo. São eles que precisam crescer e levar o Chile de volta à Copa do Mundo".
A visita do técnico ao Rio não mudou a decisão
A recusa não foi por falta de insistência da federação. Segundo o ge, o técnico Nicolás Córdova e o gerente da seleção, Felipe Correa, viajaram ao Rio em agosto para apresentar o projeto rumo a 2030. "A visita, porém, não surtiu efeito", registrou o site.
Em maio, Córdova já tinha dito que o volante recusara a convocação por motivos pessoais e que caberia ao jogador decidir se voltaria. Pulgar, em nota nas redes reproduzida pelo ge, afirmou que com o treinador "está tudo bem" e pediu mais espaço para os jovens chamados.
O histórico ajuda a entender a irritação no Chile. Em outras convocações, segundo o ge, Pulgar justificou a ausência com motivos pessoais ou físicos, como sobrecarga muscular. Pela imprensa chilena citada pelo site, comissão técnica e federação leram as negativas como rejeição ao projeto da seleção e entenderam que o volante não queria "perder tempo" com testes sob um treinador interino.
Quem criticou e o que foi dito
A crítica mais dura veio de Esteban Paredes, maior artilheiro da história do Campeonato Chileno. "Se esse for o motivo, acho que ele tem a mente muito frágil", disse ao programa Tipsters, segundo o ge. Paredes acrescentou que, se Pulgar não quiser ir por medo de vaia, "nunca mais o chamaria".
Claudio Bravo, ex-goleiro da seleção, chamou Pulgar de "o melhor jogador chileno que temos" e disse à ESPN que não tê-lo "é um grande desperdício". Claudio Borghi, ex-técnico do Chile e ex-jogador do Flamengo em 1989, cobrou disponibilidade: "Ou você está dentro ou está fora", disse à TNT Sports.

A resposta sobre pressão e o "seria curioso"
Na entrevista ao jornalista Diogo Dantas, publicada pelo Terra, Pulgar disse que falas suas foram tiradas de contexto. "Eu falei sobre críticas, nunca disse que não queria ir à seleção porque não suportava a pressão", afirmou, lembrando jogos para 60 ou 70 mil pessoas e uma final de Libertadores.
Depois veio a ironia: "Se, depois de tudo isso, o problema fosse eu não conseguir suportar a 'pressão' de jogar no Chile, seria bastante curioso". Sobre Paredes, disse que o ex-atacante "nunca falou comigo" e fez "um diagnóstico bastante completo" sem perguntar nada. E relativizou a palavra: "Pressão tem uma pessoa que trabalha 12 horas e, no fim do mês, não sabe se vai conseguir levar comida para casa".
O peso dele no Chile e no Flamengo
Os números explicam a cobrança chilena. Pelo anúncio da renovação no site do Flamengo, Pulgar soma 54 partidas e quatro gols pela seleção, com a Copa América de 2016. No clube, eram 172 jogos até 2 de setembro, com 107 vitórias, e duas Libertadores (2022 e 2025).
O contrato vai até 2029, como detalha a matéria sobre a renovação. Com a recusa, o volante segue na rotina de treinos do Flamengo durante a Data Fifa, segundo a CNN Brasil. No vídeo da Flamengo TV, ele fala da renovação assinada em 2 de setembro.



