Um gol no 5 a 1 sobre o Mirassol e dois no 3 a 0 diante do Botafogo explicam os três gols de Samuel Lino em quatro partidas do Flamengo no Brasileiro de agosto. A sequência rendeu ao camisa 16 seu primeiro prêmio de Jogador do Mês da CBF. O número, sozinho, esconde uma diferença importante entre as atuações: ele saiu do banco para fechar uma goleada e, duas semanas depois, abriu e ampliou um clássico que ainda estava em disputa.
O Flamengo publicou a escolha em 16 de setembro. Para entender o que houve dentro do recorte, conferimos os relatos das duas partidas em que Lino marcou, as fichas de jogo e os vídeos das jogadas. Esse confronto mostra onde a estatística concentra o desempenho, sem transformar a premiação mensal em veredito sobre a temporada inteira.
Do banco no Maião ao primeiro gol no clássico
Em 16 de agosto, o Flamengo já vencia o Mirassol por 4 a 0 quando Lino entrou no lugar de Luiz Araújo. Aos 28 minutos do segundo tempo, recebeu passe de Arrascaeta na entrada da área e fez o quinto. A ficha do Flamengo registra ainda um segundo gol dele anulado por impedimento. O placar terminou 5 a 1. O gol válido contou para o prêmio; o anulado ajuda a descrever a partida, mas não entra na soma.
No dia 30, o cenário era outro. Contra o Botafogo, Lino recebeu passe de Jorginho entre as linhas e tocou na saída do goleiro para abrir o placar aos 12 minutos do primeiro tempo. O Flamengo teve duas finalizações convertidas anuladas ao longo do jogo, e a vantagem seguiu mínima até os 40 da etapa final. Então Carrascal encontrou Lino, que marcou o segundo. Carrascal fez o terceiro três minutos depois. Os tempos, as jogadas e os placares estão no relato oficial do clássico.
Os melhores momentos abaixo, do UOL Esporte, reúnem os dois gols contra o Botafogo. O vídeo é do jogo de 30 de agosto; o prêmio só foi anunciado em setembro.
Há, portanto, uma leitura mais precisa que a frase “três gols em quatro jogos”. Um veio com o resultado já largo fora de casa. Os outros dois mexeram no placar de um clássico: o primeiro pôs o Flamengo na frente, o segundo encerrou um período longo de vantagem mínima. Isso descreve o peso daqueles lances, mas não mede sozinho dribles, passes, pressão sem bola ou o desempenho dos concorrentes ao prêmio.
Um mês forte dentro de uma temporada que já vinha crescendo
A melhora não começou no anúncio da CBF. Em 6 de agosto, antes dos gols contra Mirassol e Botafogo, o Flamengo registrava oito gols e 15 assistências de Lino em 39 partidas de 2026. Na publicação do prêmio, em 16 de setembro, o total informado pelo clube era de 14 gols e 16 assistências em 49 jogos. A diferença entre os dois retratos é de seis gols e uma assistência, mas não corresponde apenas ao Brasileiro de agosto: inclui outras partidas e competições disputadas nesse intervalo.
O clube também informou em setembro que, desde a estreia rubro-negra em julho de 2025, Lino somava 80 partidas, 18 gols e 21 assistências. Esses números pertencem à data do comunicado, não são contagem em tempo real. O retorno ao Flamengo após a passagem pela Europa dá contexto ao crescimento, mas o recorte desta matéria continua sendo o rendimento que levou ao prêmio mensal.
Dois reconhecimentos, votações diferentes
O título de Jogador do Mês anunciado pela CBF não é o mesmo que o Craque do Mês da Betano. Lino também recebeu a distinção da patrocinadora por votação popular da torcida. O atleta e o mês coincidem, mas organizador e eleitorado mudam. Misturar os dois faria parecer que houve uma única votação ou que a torcida escolheu o premiado oficial do campeonato.
O prêmio reconhece um intervalo de quatro partidas do Brasileiro. Não estabelece que Lino foi o melhor jogador do país em 2026, nem antecipa o papel que terá nas rodadas seguintes. O que os registros permitem afirmar é mais concreto: em agosto, ele marcou uma vez no Mirassol e duas no clássico com o Botafogo, e esses três gols compuseram a campanha reconhecida pela CBF. A convocação de Lino e Pedro para os amistosos do Brasil é outro fato de setembro, com critérios e calendário próprios.



