Jorginho, do Flamengo, acusou o árbitro Anderson Daronco de aplicar um critério no primeiro tempo e outro no segundo do 2 a 2 com o Santos, na quinta-feira (8), na Vila Belmiro: segundo o volante, a contagem de cinco segundos do tiro de meta ficou de fora no começo do jogo e apareceu depois do intervalo, quando o Flamengo já vencia por 2 a 0. A fala saiu na coletiva depois da partida, segundo o ge.
Jorginho foi quem falou pelo time. Os jogadores do Flamengo se recusaram a dar entrevista ao apito final, de acordo com o Terra, e o volante, expulso no lance que deu o primeiro pênalti a Neymar, foi à sala de imprensa do Santos.
Os cinco segundos que só valeram depois do intervalo
O tiro de meta foi o exemplo que ele escolheu para resumir o jogo. “Começa o jogo, não contam os 5 segundos do nosso tiro de meta. Está 0 a 0, está tudo tranquilo”, disse ao ge. No segundo tempo, seguiu, “a bola mal sai e já tem um braço levantado contando”.
Jorginho não falou em má-fé. Disse que um ou dois segundos a mais no tiro de meta não é problema, e que o incômodo é a regra mudar de aplicação no meio do jogo. “Então, por que começa o jogo e não começa a contagem quando a bola sai?”, perguntou.
A observação é do jogador. A Redação não cronometrou os tiros de meta de cada tempo, e nenhuma das fontes consultadas traz esse levantamento.
O pênalti: “o pior cenário possível”
No segundo tempo, Jorginho caiu na pressão de Rony e colocou a mão na bola no limite da área. Daronco marcou falta fora da área e deu amarelo. Depois que o VAR o chamou ao monitor, mudou para pênalti e cartão vermelho, conforme o ge. Neymar converteu, e o Santos descontou.
Veio daí a frase mais dura da coletiva: “Na minha opinião, ele conseguiu fazer o pior cenário possível. Ele conseguiu ir no VAR olhar e teve a possibilidade e a oportunidade de poder voltar atrás. Mas tomou a decisão de dar essa dupla penalidade”.
Ao Terra, o volante deu a versão dele para o lance: “Na minha, não era pênalti, e sim falta em mim. Tomo um empurrão nas costas, caio e nem caio com a mão na bola”. E acrescentou: “Não cabe a mim falar, cabe a vocês analisar”.
Três vozes, três leituras do mesmo lance
A conversa da noite não ficou só com Jorginho. Duas outras leituras apareceram, e nenhuma bate com a dele:
| Quem | O que disse | Fonte |
|---|---|---|
| Jorginho, volante do Flamengo | Foi falta nele antes da mão; Daronco fez “o pior cenário possível” ao manter a decisão depois do VAR | ge e Terra |
| Leonardo Jardim, técnico do Flamengo | “As duas decisões contra nós foram acertadas”, sobre o pênalti e a expulsão | Lance!, na matéria do site |
| PC Oliveira, consultor de arbitragem do Grupo Globo | Considerou corretas as duas marcações, o pênalti e o vermelho | Lance! |
O técnico do Flamengo e um consultor de arbitragem aprovam o que Daronco decidiu no lance, e o jogador que levou o vermelho discorda. Só que a crítica de Jorginho vai além do lance: ele fala do critério durante os 90 minutos, e sobre isso nem Jardim nem PC Oliveira se manifestaram, pelo que as fontes mostram.
A parte em que ele olha para si
Jorginho não saiu da sala só reclamando. Ao ge, disse que “talvez dar um chutão, jogar feio não seja um problema” e que um time com jogadores do tamanho do Flamengo “deveria sim não cometer esses erros”. Sobre o próprio lance: “Eu, principalmente, na minha posição, com o erro que eu cometi, eu sou o primeiro que vou me olhar no espelho”.
A revisão que antecedeu o pênalti entrou para a história do campeonato: foram 9 minutos e 56 segundos entre a falta marcada e a cobrança de Neymar, a paralisação mais longa do VAR no Brasileirão, de acordo com o Terra, que cita o Gato Mestre. Os dois pênaltis e a revisão estão na matéria sobre o empate com dois pênaltis de Neymar.
O Flamengo chegou aos 61 pontos e segue na liderança. O próximo jogo é o Fla-Flu, no domingo (11), às 17h30, no Maracanã, e o que se sabe sobre Jorginho para o clássico está em Fla-Flu sem Jorginho?.




